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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma carta pra você

Hoje é um dia especial... queria estar contigo, te dar aquele abraço apertado e dizer "feliz aniversário". Entregar o presente, te ajudar a desembrulhar o pacote (porque sei que você é todo enrolado rs), ver seus olhos brilharem independente do que encontrar, ainda que seja uma camisa, um casaco, um relógio ou mesmo uma caneta. Sei que você gostaria mesmo assim, ao menos disfarçaria sorrindo pra mim.

Quero te contar as novidades sabe, dizer que está tudo bem (mesmo que não esteja). Quero que você acredite que eu estou bem, que cresci (já que não houve outro jeito), que hoje sou forte, que não sinto mais medo e aprendi a me virar sozinho.

Quero dizer que recebi seus recados, que também estou com saudades e que não esqueci de você um segundo sequer. Quero pedir desculpa por mentir pra você no último encontro, por dizer que eu não tenho medo, quando na verdade ainda tenho. Me desculpar por não ter coragem de falar tudo isso pessoalmente, mas é que eu disse que sou forte, portanto, não posso permitir que você me veja chorar ^.^'


Fiquei feliz ao saber que você não esqueceu da última vez que estivemos juntos. Lembro do almoço entre irmãos reunidos, e também do passeio no parque, logo depois. Eu estava com vontade de andar na roda gigante, mas tinha receio da altura. Te chamei pra ir comigo e você topou (dando risada). Lá em cima, senti uma liberdade imensa assim que o vento bateu no rosto. Abri os braços imitando um pássaro, como se eu pudesse voar, e todo o meu medo passou. Você segurou minha mão tremendo, olhava pra baixo e dizia pra eu não olhar, que podia confiar, que o brinquedo era seguro. Eu ria da sua cara de espanto, mas me controlava respondendo que "tudo bem, o medo já havia passado". A cada sacudida que eu dava no banco, seus olhos se arregalavam e eu sufocava a risada, afinal,  você era o herói, não podia demonstrar fraqueza e só dizia para eu parar antes que eu ficasse enjoado. Naquele momento, permiti que você fosse o herói então.

Já tem alguns anos que não fazemos mais nenhum passeio. Raramente recebo notícias suas, mas ainda recebo. Tenho conhecimento sobre alguns de seus desejos. Fiquei feliz quando soube que  você ainda lembra do parque e que deseja voltar lá um dia. Sorri lembrando da roda gigante e prometo que na próxima vez vou segurar sua mão bem forte, e não vou te deixar sentir medo. Vamos balançar aquele banquinho juntos, pra assustar quem estiver ao lado.

Eu não quero escrever nada triste, só não sei como me expressar direito. Nunca falamos de sentimentos, nunca senti tanta saudade, mas to tentando fazer você entender... que eu não posso me manter mudo ao falar de amor pra você.

Pode ser que daí (onde está) você sinta tudo o que estou registrando aqui... e perdoe a minha insegurança... 

"Pode ser que daqui algum tempo
haja tempo pra gente ser mais
muito mais que dois grandes amigos,
pai e filho talvez..."


E o passeio na roda gigante??? Eu vou esperar =')


[Especialmente para a Corrente Literária "Me conta um pouco sobre essa saudade"]

terça-feira, 1 de maio de 2012

Todo tempo

Dois mil e doze... até as previsões de um possível "fim do mundo" estão prestes a se concretizar (ou não) e muitas coisas ainda não se encontram no lugar. Palavras do passado que me fazem pensar em reabrir as portas que a muito foram trancafiadas: "talvez isso seja necessário, talvez os verdadeiros erros estejam atrás das portas trancadas e só a reabertura e o enfrentamento possam trazer a solução". Não há trancas que guardem ou escondam tantos segredos, tantas verdades, tantos medos. Não há fuga para tantas curvas deste tortuoso caminho. Nada se dissolverá com o tempo. Não mais.


Abrindo e fechando portas enquanto observo se ainda há grades nas janelas que a alma compilou. Não trago de volta coisas do passado, mas coisas do presente, que não se permitiram esquecer. Receios não cabem ou sobram a essas questões, apenas o desejo singelo do bem-estar particular. Estrelas que a escuridão da noite não apagou. 

Maldoso tempo que castiga, que judia sem permitir evolução. Gentil tempo que traz novidades e oferece oportunidades jamais vivenciadas em qualquer outro ponto dessa caminhada. Arteiro tempo que mexe e remexe num baú de sensações e sentimentos que se misturam, se perdem e se cruzam, sem encontrar uma resposta saudável para justificar o roteiro do conto sem fadas. Nunca fui bom em lidar com o tempo, deveras. Deve ser por isso que insisto em dizer que 'não muito' viverei pois, de tempo, pouco entendo, e parece que pouco ele me entende também. Nunca nos demos muito bem, ou então nos demos tão bem que começamos a nos repelir. Caminhando lado a lado porque não parte de mim a escolha. Ele é supremo em suas artimanhas, enquanto sou apenas espectador. 

Abro e fecho portas com trancas que o tempo não foi capaz de romper. 
Esconda os sonhos e deixe apenas o silêncio, por favor.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Very special

Quando nos acostumamos a escrever tanto, acabamos por criar alguns vícios de linguagem. Frases e expressões que se repetem em diversos parágrafos. Formas igualitárias de descrever os sentimentos. Aos poucos tento vencer o vício, mas não é tão prático como parece. 


Hoje queria falar sobre muita coisa, mantendo ainda o tom de "querido diário". Não sei bem o jeito correto de me expressar. As palavras que por aqui se perdem nem sempre encontram o significado planejado. 

Creio que meu anjo da guarda deve ser estagiário, pois só isso explica essa turbulência de informações, encontros e desencontros em um período tão curto. Parece aquele serviço de "vamos atingir a meta do ano",  propondo que tudo que não aconteceu venha a acontecer de uma vez só.

Queria saber escrever poemas como tantos fazem, mas não sou tão bom assim. Talvez em rimas eu conseguisse explicar os meus desejos... a minha vontade de ser mais que "um alguém". São muitas as vias que me são oferecidas, mas percebo que em nenhuma delas ocupo papel de destaque, a função que eu gostaria de ocupar. Em todos os meios me vejo como "um alguém"... alguém especial? talvez... mas não o suficiente. Não para ser "o alguém", a diferença entre o que era e o que poderia vir a ser. 

Falar e não falar ao mesmo tempo, o velho jogo de entrelinhas, que não deve ser lido nem interpretado. Não falo mais de pessoas, falo apenas de um "eu" que não se encaixa no mundo real. Sou um "eu" que anseia por um "nós". Por hora, desfruto da sorte de ser o "ele", que para algo deve servir, não sei bem ao certo, mas algo de muito especial há nesse "ele" que todos veem.

Vou guardar as palavras.

Talvez haja a chance de ser especial de uma forma única. De um jeito que faça sentir que as palavras, os desejos, os sentimentos se transmitem só a mim. Não lido com razões do egoísmo, mas penso no individual, no que desperto, no que compartilho, no que nomeio. Não tenho nomes exatos para os sentimentos, mas nem por isso deixo de senti-los. Sentimentos obsoletos que já não podem ocupar um lugar de destaque... que se recolhem, se resguardam, no fundo daquele músculo pulsante.  

I don't belong me 

Talvez seja isso... apenas um músculo pulsante.


♫ Whatever makes you happy... w
hatever you want...
So very special... I wish I was special ♫

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ilegal

Da noite pro dia, tudo muda e você fica sem entender como as coisas chegaram até aqui. Da noite pro dia, você se sente perdido e todas as suas certezas viram dúvidas diante dos fatos que ocorrem nessa feroz velocidade. Da noite pro dia, a insegurança grita e confunde os sentimentos de quem achava ter encontrado a pessoa certa. Da noite pro dia, você descobre que talvez deixou de amar, que talvez não sinta mais aquela queimação quando se sente um pouco mais perto daquele alguém. Da noite pro dia...

Da noite pro dia, você encontra um sorriso diferente que te causa um certo frio na barriga quando lembrado. Da noite pro dia, você se acalma e percebe que não há mais motivos para que tantas lágrimas continuem rolando. Da noite pro dia, você aprende a aceitar a realidade, antes inaceitável. Da noite pro dia a mágoa vira ternura, diante de um novo e nobre sentimento que se enrosca entre a saudade e as lembranças. Da noite pro dia o mundo inteiro muda, ou não... apenas o seu mundo particular tem mudado. Da noite pro dia você vê sua vida virando do avesso... e só então percebe, que talvez esse seja o lado certo pra você.

Da noite pro dia... tudo fica bem outra vez ^^

quinta-feira, 17 de março de 2011

Nostalgia encapsulada

... um passado não tão distante assim...

Alguém sabe o que de fato significa a palavra "nostalgia"? Muitas vezes ela é relacionada à saudade extrema, ao momento em que paramos para analisar todas as causas desse sentimento, todos os porque's. Vamos ver do ponto de vista da lingua portuguesa:


1. Tristeza profunda causada por saudades do afastamento da pátria ou da terra natal.
2. Estado melancólico causado pela falta de algo.


Erroneamente utilizamos o status nostálgico para nos referirmos aos momentos que despertam uma saudade positiva, aquela que relembra momentos felizes, que sentimos falta. Porém, gramaticalmente falando, não é bem esse o conceito exato. Enfim... acho que ninguém aqui está interessado em uma aula de Português com seus conceitos e variantes rs. É que antes de escrever o que eu kero, eu precisava deixar claro o porque de usar o conceito 'nostálgico' para traduzir o que estou sentindo ^^


Posso falar de saudade sem que seja necessário relaciona-la a tristeza... posso falar de sentimentos sem que seja necessário recapitular as tantas dores de cotovelo rs.... posso falar de nostalgia, sem que ela seja interpretada por um ponto de vista negativo.

Ontem senti um alto grau de nostalgia ao reencontrar um amigo virtual depois de 4/5 anos. Foi uma experiência unica relembrar coisas de um passado que nem está tão distante assim. A anos atrás, as comunidades do orkut eram a "sensação do momento", lembram? (olha como o tempo passa rápido e nós nos sentimos velhos rs). Em uma dessas comunidades, a do Disk MTV, foi criado um grupo de amigos que conversavam em Chat pelo msn. Eu confesso que entrei de gaiato nesse grupo... fui motivado pelo ciúme, já que meu namorado na época frequentava a comunidade e o chat, e eu queria "acompanhar" (pra não dizer vigiar, controlar rs) pra ver com quem e sobre o que ele tanto conversava (Marcus padeceu comigo xP rsrs). 

O bacana dos chats é que a cada dia um novo integrante era adicionado na conversa e, com isso, em uma semana era possível conhecer ao menos umas 10 pessoas diferentes... ae caberia ao interesse e afinidade de cada um em manter contato ou não. 

Mas os nossos encontros online só eram assíduos durante as férias de verão, quando todos tinham tempo de sobra para papear. Com o fim das férias e o retorno às atividades cotidianas, permaneceram em contato apenas as amizades em potencial. Nesses encontros e desencontros, muitas pessoas surgiram e muitas outras desapareceram na mesma velocidade, sem deixar rastros. Incrível como as coisas mudam ^^

Nos últimos dias acabei encontrando, ou melhor, fui encontrado por um antigo companheiro de chats, o Lucas ^^. Nos "esbarramos" em uma das milhares de novas redes sociais, o filmow. Foi um encontro do acaso que nos despertou a tenra curiosidade de saber o que mudou de la pra ca. Trocamos msn novamente e nos deliciamos ontem conversando sobre os caminhos que muitos conhecidos da época de chat optaram. Eu tinha o meu baú de "novidades" e ele tinha o dele, e até o momento, ainda não esvaziamos esses pacotes de novidades envelhecidas õ/. 

Cara, a sensação de nostalgia que essa nossa conversa causou foi incrivelmente instantânea. Como pode acontecer tanta coisa em tão pouco tempo? Levamos um tempão para nos tornarmos adultos e um outro tempão para envelhecer... e, de repente, parece que já vivemos uma vida inteira quando, na verdade, estamos relembrando apenas um pequeno período. Eu não sei explicar ao certo que sentimento foi esse... mas posso afirmar com certeza, que foi muito bom poder compartilhar dessa nostalgia outra vez... por alguns momentos eu voltei a ser o cara que estava começando a percorrer um novo caminho e que não sabia ao certo onde iria chegar ^^

Hoje estou aqui... desfrutando dessa nostalgia encapsulada, desejando novas doses dessa saudade guardada e revivendo um tempo que não volta mais. Tanta coisa, tão pouco tempo... e ainda tem pessoas que julgam experiências pela idade registrada em RG.

Podemos ser feliz com tão pouco... 
mas só descobrimos isso depois que o tempo passa... e fica só a saudade ^^