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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Blue

Mil anos em 24 horas. Pensamentos que viajam em incrível velocidade, cruzando fronteiras e avançando mundo adentro... ou mundo a fora. Olhar perdido no breu. Não sabemos mais o que esperamos da vida, esquecemos o tal processo de 'desejar'. Ficamos no silêncio desse inverno frio, inverno mudo, de alma vil. 

Há luzes nos postes da rua, mas não o suficiente para ferir a noite... não amedronta, tão pouco incomoda.  Nesse silêncio que me parte ao meio.


Despido, me desfaço de tudo e abraço o negrume cálido que aqui se instalou. Me leve nos braços teus... faça dos sonhos realidade. Faça aquilo que eu não tenho coragem... faça... por mim.

  

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Alma crua

Me reviro na cama e não consigo manter os olhos fechados. Ligo o media player tentando distrair, mas parece que a coisa só piora. Não há jogos, sites ou redes sociais que prendam minha atenção. Viajo, vou longe nos pensamentos e a barriga dói em meio à aflição que me invade.

É como se a minh'alma se desprendesse do corpo, uma alma nua, alma crua, com sabor de nostalgia. Não seria (é) prudente transformar pensamentos em palavras (não agora). Corro o risco de permitir interpretações variadas que provavelmente em nada se enquadrarão com o meu ver dos fatos.


Preciso tirar as agonias da cama, empurrar para baixo do colchão talvez... que sonolência isso me traz. Preciso dormir, preciso apenas deixar algumas coisas onde sempre estiveram, trancafiadas. Preciso tornar essa embalagem que é o meu corpo habitável novamente para que a minh'alma não mais passeie por aí, apenas regresse e permaneça onde sempre esteve... forte, híbrida e resistente. Há muito que ver da vida ainda.

Esse é o roteiro de sempre... narrado pela alma de um  noturno agoniado. Só sei que as pessoas estão acordando e eu ainda não consegui dormir... >.<'

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quem é você quando ninguém está olhando?

Uma pessoa normal, é assim que o resto do mundo me vê. Saio todos os dias de manhã para trabalhar com minha roupa caricata de um ratinho de escritório. Olhar sério, esbanjando uma serenidade que guardo todas as noites no armário quando volto para casa. Tudo nos conformes até as 18h30, quando o apito da empresa soa o fim do expediente.


Nas ruas escuras sou mais do que uma figura patética do tal capitalismo globalizado. A noite todos são informais, por quê eu seria diferente? Das peças sociais, mantenho apenas a gravata, não para o uso tradicional, mas para algemas em um momento propício. Roupas trocadas, cabelo arrumado, calça apertada, perfume borrifado, um creme corporal e um pouco de manteiga de cacau para os lábios ressecados, sem mais adereços desnecessários, afinal, as atenções devem ser direcionadas ao meu estado natural, não ao forjado pelos utensílios e penduricalhos espalhados. 

Agora sim, o personagem diurno já se despediu em definitivo e entra em cena a fera noturna, pronta para a caça.

Em casa, estou com meu namorado e seu novo parceiro sexual, sim porque não me limito ao restrito ou ao não, gosto de experimentar novas sensações e se permito a mim, permito a ele também. Observo a nova figura desse relacionamento aberto. Corpo definido, tatuagens expressivas e decifráveis, olhar encantador. Engana-se quem pensa que me atento apenas as curvas musculares, ao contrário, mergulho nos olhos, na troca de informações oculares. Meus interesses cruzam a fronteira e já desejo o novo parceiro. Ando pela sala como se dançasse uma valsa à três. Os convidados especiais ainda não chegaram, mas a campainha não tarda a tocar.

Todos aos seus postos aguardando, calados e excitados. Conto mentalmente a presença de seis ou sete pessoas talvez, um ou dois, provavelmente averiguando os quartos. Ligo o rádio, abaixo as cortinas, apago as luzes, acendo as velas. As peças de roupa caem ao chão, a gravata - como prometido - amarra punhos e aproxima corpos, com certa precisão. O ambiente sussurrante convida à espasmos de coitos consumados. Ainda sinto como se fosse uma valsa, só que dessa vez os bailarinos se entrelaçam, se enroscam e se espalham pela casa, em uma dança que não tem hora para acabar.

Sobre a cabeceira da cama, colo um bilhete ao lado do despertador: "Querido, me acorde às 7h00 tenho reunião". A partir das 8hs, a fera noturna voltará ao armário. Mas isso só até que a lua reine novamente. Afinal, sou fruto do dia, mas sou cria da noite.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Todo tempo

Dois mil e doze... até as previsões de um possível "fim do mundo" estão prestes a se concretizar (ou não) e muitas coisas ainda não se encontram no lugar. Palavras do passado que me fazem pensar em reabrir as portas que a muito foram trancafiadas: "talvez isso seja necessário, talvez os verdadeiros erros estejam atrás das portas trancadas e só a reabertura e o enfrentamento possam trazer a solução". Não há trancas que guardem ou escondam tantos segredos, tantas verdades, tantos medos. Não há fuga para tantas curvas deste tortuoso caminho. Nada se dissolverá com o tempo. Não mais.


Abrindo e fechando portas enquanto observo se ainda há grades nas janelas que a alma compilou. Não trago de volta coisas do passado, mas coisas do presente, que não se permitiram esquecer. Receios não cabem ou sobram a essas questões, apenas o desejo singelo do bem-estar particular. Estrelas que a escuridão da noite não apagou. 

Maldoso tempo que castiga, que judia sem permitir evolução. Gentil tempo que traz novidades e oferece oportunidades jamais vivenciadas em qualquer outro ponto dessa caminhada. Arteiro tempo que mexe e remexe num baú de sensações e sentimentos que se misturam, se perdem e se cruzam, sem encontrar uma resposta saudável para justificar o roteiro do conto sem fadas. Nunca fui bom em lidar com o tempo, deveras. Deve ser por isso que insisto em dizer que 'não muito' viverei pois, de tempo, pouco entendo, e parece que pouco ele me entende também. Nunca nos demos muito bem, ou então nos demos tão bem que começamos a nos repelir. Caminhando lado a lado porque não parte de mim a escolha. Ele é supremo em suas artimanhas, enquanto sou apenas espectador. 

Abro e fecho portas com trancas que o tempo não foi capaz de romper. 
Esconda os sonhos e deixe apenas o silêncio, por favor.