segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Homoafetividade


Falar sobre os sentimentos e relacionamentos dos homossexuais é quase uma tendência (ou divergência) social. A proporção alcançada pelo debate sobre a relação afetiva entre dois homens ou duas mulheres impressiona. Algo tão pessoal e tão íntimo, que deveria estar restrito apenas aos envolvidos, acabou sendo exposto à opinião de terceiros que em nada participam da relação, a não ser com a parcela de receios e preconceitos.

Não vemos nas páginas dos jornais manchetes que descrevam que um homem foi agredido por beijar sua namorada na rua, ou então, que uma mulher foi xingada por andar de mãos dadas com seu companheiro... ou vemos??? Incrível como isso soa tão ridículo quando comentado, parece uma cena hilária de se imaginar... podemos até ensaiar uma risada, mas no fundo no fundo, não tem a menor graça.

O ser humano sempre achou/acha que tem o direito de se envolver na vida do próximo. Acredito piamente que o direito de um começa onde o direito de outro termina, mas nesse caso, quem tem o direito de decidir qual a pessoa, gênero ou etnia certa para se amar??? Quem consegue controlar sentimentos e sensações/desejos do próprio corpo???

Religiões, credos e/ou outras doutrinas conservadoras se sentem no direito de reivindicar que isso é errado, intolerável, inaceitável... estar com quem se ama aos olhos preconceituosos é errado, mas eu pergunto de novo: errado porque? A sociedade, em sua maioria, chama o relacionamento homossexual de “safadeza”, “promiscuidade” e “baixaria”. Opinam como se o ser que é diferente optasse por gostar do mesmo sexo. Lamento decepcioná-los, mas não é uma questão de escolha, as pessoas nascem assim, elas não optam por “ser” assim. É possível escolher profissões, amigos, lugares para morar... mas não se pode escolher a pessoa pela qual o coração irá bater mais forte, o indivíduo que irá te fazer perder o ar, despertando os desejos mais ocultos... é possível escolher entre o certo e o errado, mentir ou ser honesto, roubar ou não, matar ou promover a vida... essas opções são passiveis de escolha, mas sentimentos não.

Nenhuma pessoa em sã consciência escolheria ser discriminada pelos demais, ou ter que inibir carícias em público para não ser hostilizado, ou mentir para amigos e familiares com medo de ser recriminado. A escolha a ser feita está entre respeitar ou não respeitar as diferenças do próximo. Tudo se baseia no respeito, não significa aceitar ou concordar. As crenças, costumes e doutrinas poderão ser mantidos, mas o respeito se faz necessário em todas as situações. A tolerância é sempre bem vinda. A única reflexão que fica depois disso é o direito do ser (homo, hetero ou outra nomenclatura) de amar. O amor é válido em qualquer circunstância, mesmo que esse amor seja representado de uma forma diferente do comum.

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2 comentários:

  1. Para teu texto parabens, Infelismente o homem não olha pro favor que o outro tem como pessoa, mas primeiro para dinheiro, raça, sexualidade... Pena que fomos educados ha não perceber o quanto poderiamos ser maiores, abraço!
    http://herycon.blogspot.com/

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  2. Achei teu comentário... e lamento pelos mesmos motivos =S

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